Para alertar jovens contra as drogas

Bastou publicar uma foto ao lado do filho para Venício Guimarães sentir a força das redes sociais. A repercussão imediata não foi apenas pela imagem, mas pelo teor do texto escrito pelo pai: “Perdi Tiago para as drogas…Tudo começa com um ‘cigarrinho’ de maconha…Besteira, mas acabou tudo com o crack”. A partir dessa revelação, publicada em seu perfil do Facebook, logo após a morte do filho, em 2012, o advogado e empresário decidiu lançar a sua luta contra as drogas.

O primeiro passo foi a criação da fanpage “Missão acorda juventude”, na qual já são mais de 300 mil compartilhamentos, 15 mil amigos e 70 milhões de visualizações. Nela, Venício mostra a sua trajetória como pai de um dependente químico. “Sou um especialista em dor. Sei que cometi muitos erros como pai, mas não sabia como lidar com o problema. Sei que perder um filho assim é uma pancada muito violenta. Agora quero dividir o que aprendi com outras pessoas”, alerta.

Tiago teria uma vida inteira pela frente se não fosse o vício. Aos 14 anos, já consumia a “inofensiva” maconha, depois foi para outros tipos de drogas até chegar ao impiedoso crack. Tão logo, já havia se tornado refém do mundo do crime para sustentar a dependência química.

Neste caminho tortuoso, foi preso e condenado, passou alguns meses no presídio, sofreu e “adoeceu” junto com toda a família. Ao deixar a prisão, rejeitou ser internado em uma clínica de reabilitação.
Em 2012, com apenas 30 anos, Tiago, pai de duas crianças, morreu assassinado. Foi amarrado em um pneu de caminhão e jogado em um rio na cidade de Caxias, no Maranhão. Nunca encontraram seu corpo. “Quando soube, passei um dia e uma noite como um ‘siri em uma lata’. Gritando, chorando e tentando buscar explicações para o que havia acontecido e como essa tragédia poderia ter sido evitada, mas não obtive respostas”, revelou o pai em uma de suas publicações.

Palestras

Mas Venício preferiu transformar o luto em uma luta de prevenção às drogas. Passou a usar a fanpage como ferramenta para compartilhar suas experiências. “Se eu conseguir salvar uma vida que seja, já terá valido a pena”, diz. Além de se fortalecer na missão, destaca o alcance das redes sociais que acabou sensibilizando internautas no Brasil inteiro e comunidades nacionais espalhadas pelo mundo afora.

Para Venício, é muito importante trabalhar o assunto das drogas antes que elas batam à porta de suas casas. O consumo e, consequentemente, a destruição das famílias, é um problema sério e precisa ser discutido. Por meio das redes sociais, coloca-se à disposição de escolas, empresas, igrejas ou eventos relacionados ao tema para ministrar palestras gratuitas. “Sou um aprendiz da vida, mas catedrático em dor. Por causa do crack quero salvar vidas”.

Com linguagem didática, sem apelos políticos ou religiosos, procura tocar o coração de adolescentes, jovens e adultos. Divide a apresentação em dois momentos: primeiro vêm as pancadas, depois, o relaxamento. Fala dos malefícios da droga, mas fala também do amor e do seu poder de transformar as pessoas, o mundo. “Tornei a morte do meu Tiago em uma bandeira em favor da vida!”, revela.

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