‘Crack foi pior escolha da minha vida’, diz ex-morador de rua que ajuda a recuperar dependentes

Adriano Lugoli foi viciado em drogas e morou nas ruas por três anos. Em 2005 começou a trabalhar como modelo; atualmente conta sua história de superação para prevenir uso de drogas entre jovens e ajudar outros dependentes.

Cigarro, álcool, maconha, cocaína, tíner… A lista de drogas experimentadas pelo modelo Adriano Lugoli ao longo da vida é extensa e, segundo ele, “incontável”. De todas as substâncias, foi o vício no crack que tirou o mineiro de vez de casa e o levou a morar nas ruas de Uberlândia por três anos. Hoje recuperado, Adriano se mudou para região do Gama, no Distrito Federal, e decidiu transformar as experiências negativas em ajuda a outros dependentes químicos.
Por meio de palestras recheadas de música, descontração e muitos sorrisos, Lugoli aconselha jovens, estudantes, moradores de rua e até presidiários do DF sobre as formas de prevenir e superar o vício nas drogas.

“Conto que as drogas não me deixaram conquistar coisas mínimas. Principalmente o crack, que me derrubou, me prendeu… Foi a pior escolha da minha vida.”

Às experiências contadas nas palestras ele deu o nome de “super ação”, uma brincadeira com o ato de coragem em vencer a dependência química e também em homenagem à atitude da mãe e da irmã, que decidiram pela internação dele em uma casa de recuperação no Gama.
“Foram elas que se moveram para que eu estivesse aqui. Tento mostrar como fui parar na rua, o preconceito racial que sofri na escola, apelidos que me fizeram perder a autoestima e tudo que contribuiu para que eu me envolvesse com as drogas.”

Para Lugoli, partilhar experiências funciona como um espelho, em que a pessoa projeta emoções em quem fala e ao mesmo tempo se sente compreendida em seus problemas.

“Tem gente que está começando no álcool e vê que pode cair na mesma situação que eu estava. Ou têm mulheres que falaram nunca ter usado um cigarro mas são dependentes de uma baixa autoestima.”

Como funciona

Em casas de acolhimento e recuperação, a partilha de experiências é um dos métodos utilizados no tratamento da dependência química. De acordo com a psicóloga Ellen Queiroz, que atua na área clínica com foco na saúde mental, “ouvir outras experiências serve como parâmetro e motivação”.
“Muitas vezes a pessoa está passando por aquilo sozinha e não sabe como expressar ou pedir ajuda, mas quando entra em contato com outras pessoas que falam sobre as drogas, que dão suporte e diz que o dependente é capaz, tudo isso é internalizado e transformado em força.”
Ainda segundo a psicóloga, além do tratamento, falar sobre a dependência química é fundamental para a prevenção.

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